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sexta-feira, 15 de maio de 2015

OPERAÇÃO PUBLICANO - Campanha de Richa teria recebido R$ 2 mi desviados da Receita, diz delator

Brunno Covello/Gazeta do Povo
O PSDB nega que tenha havido irregularidades na arrecadação da campanha de Richa.


Dinheiro teria sido arrecadado por ordem de antigo inspetor da Receita Estadual e de Luiz Abi Antoun

Fabio Silveira, do Jornal de Londrina

Um auditor da Receita Estadual preso em Londrina afirmou em depoimento ao Ministério Público que a campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB) recebeu R$ 2 milhões de dinheiro obtido ilicitamente. Segundo o auditor Luiz Antônio de Souza, os recursos eram de desvios ordenados pelo então inspetor-geral de fiscalização da Receita, Márcio Albuquerque de Lima.
Auditor envolvido em esquema decide colaborar com investigação do Ministério Público

Souza, que foi o primeiro a ser preso, em janeiro deste ano, está colaborando com as investigações em várias frentes. Ele detalhou até como o dinheiro era trazido de Londrina para Curitiba

As declarações de Souza foram feitas em regime de delação premiada, em mais de 28 horas de gravações registradas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado(Gaeco). Souza e Marcio Albuquerque Lima foram dois dos presos na Operação Publicano, que investiga um esquema de propinas na Receita Estadual em Londrina. Até agora, 62 pessoas foram denunciadas à Justiça pelo esquema.

Na versão de Souza, Marcio Albuquerque Lima agiria em nome de Luiz Abi Antoun, primo distante do governador Beto Richa e tido como uma espécie de eminência parda no governo do estado. A ordem recebida pelos auditores foi de cumprir uma “meta” de de
svios para serem repassados à campanha. O PSDB nega que tenha havido irregularidades na arrecadação da campanha de Richa.

Antoun, de acordo com a delação, seria o responsável pela indicação de Lima, primeiro para delegado da Receita Estadual em Londrina e depois para inspetor-geral de fiscalização. Além de Richa, Souza disse aos promotores do Gaeco que dois candidatos a deputado estadual e um candidato a deputado federal teriam sido beneficiados pelo esquema, que consistia em sonegar impostos de grandes devedores em troca de propina.

Em entrevista concedida ao JL e à RPC, o advogado Eduardo Duarte Ferreira, que defende Souza, afirmou que, em fevereiro do ano passado, Souza teria sido chamado por Lima para uma reunião. Ali teria ficado estabelecida a meta de “arrecadação”. A “meta”, na versão do delator, teria sido cumprida com três empresas que, assim como as demais achacadas pelos auditores fiscais, tinham dívidas tributárias com o estado. Uma das empresas seria de Arapongas.

Outro lado

A reportagem da Gazeta do Povo procurou o governo do Paraná para comentar as declarações que constariam da delação premiada de Souza. A assessoria do governador afirmou que ele não iria se pronunciar e que em casos relativos a campanha quem se manifesta é o partido.

A direção estadual do PSDB emitiu uma nota. A nota diz: “o PSDB-PR refuta de forma veemente as declarações do Sr. Luiz Antonio de Souza. Informa ainda que o Sr. Luiz Abi Antoun nunca tratou de arrecadaçãoz para a campanha eleitoral. Essa tarefa foi de responsabilidade do Comitê Financeiro, do qual o Sr. Luiz Abi Antoun nunca fez parte. O partido ressalta ainda que todas as doações recebidas pelo partido na campanha eleitoral de 2014 ocorreram dentro da legalidade, sendo registradas e atestadas pelo Comitê Financeiro. As contas foram apresentadas e aprovadas integralmente pela Justiça Eleitoral”.

A reportagem também procurou o coordenador financeiro da campanha de Richa, Juraci Barbosa, mas as ligações não foram atendidas. O coordenador-geral da campanha, Eduardo Sciarra (PSD), hoje chefe da Casa Civil do governo Richa, também não retornou às ligações.

Fonte: Gazeta do Povo

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