O Zucco e os que, a exemplo dele, reclamam da transformação do empreendimento, em prejuízo do sossego dos que confiaram no projeto de "Bairro Residencial", estão com a razão.
Aliás, os excessos das casas noturnas de Jurerê e adjacências atingem, também, o sossego dos moradores de Jurerê Tradicional, Vargem Pequena e Ratones.
O alto volume dos aparelhos de som leva, invariavelmente, a música eletrônica até os ouvidos, outrora descansados, dos habitantes dos outros bairros também.
É preciso agir com rigor contra a exploração da vida noturna de modo abusado e prejudicial ao descanso dos que não são clientes das casas que se dedicam a tal atividade. É um problema de saúde pública.
Se o Ministério Público e a Justiça não adotarem providências urgentes, a "coisa vai feder". Já ouvi gente dizer que, a qualquer momento, toca fogo nos estabelecimentos que desrespeitam a lei do silêncio e o direito alheio ao sossego.
Quando o Estado se omite ou não adota medidas efetivas, as pessoas se acham no direito de resolver os problemas ao seu modo e a situação se complica. A morosidade da Justiça, que há muito é histórica, está a contribuir para a irritação dos prejudicados e a induzi-los para a adoção de medidas radicais e nada ortodoxas.
Já ouvi de um morador, altamente irritado com o barulho e uma das casas noturnas que não o deixam dormir: "Vou mandar alguém explodir aquela merda!" Não sei se terá coragem, mas que estava "na ponta dos cascos", estava!
Queremos, solução, não embromação! Justiça que não chega ao fim dos processos não é Justiça, é enganação.
O certo é que, por conta da tolerância com a ganância do DR. PÉRICLES DRUCK, o Jurerê Internacional já começou errado, posto que, na implantação do Loteamento, os ataques à natureza foram inúmeros, incluindo a eliminação de dois rios, com o beneplácito da Justiça de SC, a qual (venal?) aceitou a tese da empresa de que os dois cursos d'água não possuíam importância no ecossistema local.
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Jurerê Internacional, agora, convive com o lado B da fama que conquistou
Gabriela Ovai
Divulgada na mídia nacional e internacional como praia dos milionários, Jurerê Internacional, em Florianópolis, é um dos principais destinos de turistas que querem pisar na mesma areia que os galãs de novela, e continua atraindo pessoas que querem morar no loteamento com cara de bairro americano no Norte da Ilha de Santa Catarina.
Mas nem todos ainda consideram Jurerê um paraíso. Baladas que atravessam a madrugada, festas em casas com banheiro químico no quintal, aumento da criminalidade, desordem e poluição sonora e ambiental são alguns problemas que motivaram reações de moradores do balneário.
Construído há 30 anos, o loteamento atraiu médicos, engenheiros, empresários, advogados, entre outros profissionais bem-sucedidos, por sua organização, tranquilidade e, principalmente, segurança.
— Mas este conceito de bairro tranquilo e familiar está mudando. Esta ênfase nas baladas é uma conotação nova que estão querendo dar para Jurerê e nós pagamos nossos impostos para morar em um bairro residencial por escritura — observa Luiz Carlos Zucco, presidente da Associação de Proprietários e Moradores de Jurerê Internacional (Ajin).
Fundada em 1986, a associação representa cerca de 40% dos 4 mil a 5 mil moradores permanentes do loteamento.
Praia com boa balneabilidade e infraestrutura, ruas com simpáticos nomes de peixes, calçadas amplas, ambiente limpo e bem cuidado, casas sem muros e cercadas por jardins, comércio com produtos de qualidade, estação de tratamento de esgoto e abastecimento de água próprios, monitoramento por empresa de segurança particular e fácil acesso são algumas das características deste bairro planejado. Por estes atrativos, famílias se dispuseram a pagar, há cinco anos, cerca de R$ 250 mil por um terreno de 450 metros quadrados, próximo à praia. Hoje, o mesmo terreno custaria aproximadamente R$ 650 mil. Há 20 anos, valia o equivalente a R$ 8 mil hoje.
Segundo Zucco e outros moradores, a excelência na qualidade de vida divulgada pela construtora do loteamento, o Grupo Habitasul, está se perdendo.
Construtora nega desvalorização
A Habitasul reage:
— A excelência na qualidade de vida não se perdeu nem vai se perder. Até porque a definição de qualidade de vida é particular. Uns querem jogo de xadrez, outros querem balada — diz o diretor do Jurerê Open Shopping, do Grupo Habitasul, Carlos André Motta.
Clubes no foco do problema
Conforme a Ajin, a perda da qualidade de vida de Jurerê Internacional tem a ver com os clubes de praia. Construídos onde antigamente funcionavam postos de praia e de banhistas, os clubes são vizinhos a áreas residenciais. Pagam aluguel para a Habitasul.
— A Habitasul e seus parceiros tentaram modificar o perfil do bairro trazendo essas pessoas para cá — afirma Zucco.
Carlos André Motta, da Habitasul, se defende:
— O crescimento de Jurerê não tem relação com a existência dos clubes de praia. Tem a ver com o aparecimento da cidade na mídia com o crescimento de Florianópolis. A tranquilidade, a organização e a segurança continuam no bairro; além disso, agregou-se um conceito de diversão para toda a família. Antes, o adolescente não tinha opção, hoje ele tem.
Os moradores representados pela Ajin não são contra as baladas, mas acreditam que elas devem ocupar um local apropriado.
— Nossos filhos frequentam festas e é melhor que elas sejam perto de casa, mas cada coisa em seu lugar — afirma Zucco.
Vizinho do clube Taikô, o oftalmologista Ademar Valsechi mudou o esquema de trabalho por causa das baladas no clube.
— Passei as cirurgias para a tarde porque já precisei desmarcar por não ter dormido direito por causa do barulho. Não somos contra turistas ou moradores de outros bairros. Eles são muito bem-vindos para curtir a praia com seu isoporzinho e lanche. O que não queremos é o pessoal que faz balbúrdia. Me sinto vítima, enganado pela propaganda inicial. Vim morar aqui pela imagem de tranquilidade que me venderam — diz o médico.
A Ajin moveu ações contra cinco clubes de praia: Café de la Musique, Café Riso, Encanta, El Divino e Taikô, por ocupação de área pública, poluição sonora, poluição ambiental, degradação do meio ambiente e ilegalidades nos licenciamentos concedidos pelo poder público. Além disso, a Ajin entrou com ação civil pública contra o Jurerê Open Shopping (Habitasul), o município de Florianópolis, a União, o Ibama e a Floram. A ação tem por objetivo questionar o licenciamento concedido pelos poderes públicos. Baladas caseiras na mira do MP O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito para apurar denúncias da Ajin em relação a baladas em residências no local. Conforme a associação, este tipo de festa é recorrente. O promotor do MPE Rui Arno Richter aguarda o resultado das diligências de autoridades policiais para dar um parecer.
Ações no MPF
Segundo a procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Analúcia Hartmann, pelo menos seis ações contra a Habitasul estão em tramitação, inclusive contra o Hotel Il Campanário, de propriedade do grupo.
— No último acordo, em 2005, a Habitasul se comprometeu a fazer um estudo cumulativo de impacto ambiental — diz Analúcia.
De acordo com ela, tanto a recuperação das terras da Marinha, que são as dunas, quanto a recuperação das passarelas de madeira são resultado de acordo judicial.
Fonte: DIÁRIO CATARINENSE



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