Perfil

Advogado - Nascido em 1949, na Ilha de SC/BR - Ateu - Adepto do Humanismo e da Ecologia - Residente em Ratones - Florianópolis/SC/BR

Mensagem aos leitores

Benvindo ao universo dos leitores do Izidoro.
Você está convidado a tecer comentários sobre as matérias postadas, os quais serão publicados automaticamente e mantidos neste blog, mesmo que contenham opinião contrária à emitida pelo mantenedor, salvo opiniões extremamente ofensivas, que serão expurgadas, ao critério exclusivo do blogueiro.
Não serão aceitas mensagens destinadas a propaganda comercial ou de serviços, sem que previamente consultado o responsável pelo blog.



domingo, 13 de março de 2011

Jovens vão às ruas em Portugal para protestar contra condições precárias de trabalho


Jair Rattner
De Lisboa para a BBC Brasil




Jovens usaram o Facebook para divulgar a manifestação em Lisboa

Mais de 180 mil portugueses participaram neste sábado de duas manifestações simultâneas ocorridas na capital do país, Lisboa, e no Porto.


Nas duas cidades, os protestos tinham como palavra de ordem o fim da precariedade no emprego do país, incluindo emprego informal, os estágios não remunerados e os chamados falsos autônomos, que não têm direito a férias nem a 13º terceiro salário.



Segundo os organizadores da marcha, o movimento é inspirado na Revolução de Jasmim, na Tunísia, que culminaram com a saída do presidente e influenciaram protestos em outros países da região, como Egito e Líbia.

O movimento começou com quatro jovens de Lisboa, que em 9 de fevereiro resolveram criar uma página no Facebook convocando a manifestação, dizendo que eram uma “geração à rasca” (geração na pior, em Portugal). A notícia se espalhou na internet e na sexta-feira havia mais de 50 mil pessoas que indicaram no Facebook que iriam comparecer.

No discurso do final da manifestação, os organizadores falaram sobre os objetivos: “Estamos aqui para uma mudança qualitativa do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração. Desperdiçam-se recursos e competência. Somos a geração com maior nível de formação na história do país. Acreditamos que temos os recursos e ferramentas para dar um futuro melhor para o país”, afirmou Paula Gil.

‘Apartidário’

A marcha não estava atrelada a dos partidos políticos. Na manifestação os quatro gritavam: “Apartidário, laico, pacífico”, seguidos por milhares de pessoas.

Ao contrário das manifestações enquadradas por sindicatos e partidos, os manifestantes protestavam cada um à sua maneira. Na marcha de Lisboa, por exemplo, algumas pessoas foram de bicicleta e outras levaram seus cães para as ruas.

E a multidão era acompanhada de um banda de metais e, a 100 metros, um grupo tocando gaitas de fole acompanhadas por bumbos – típica música de origem celta do norte de Portugal.

A pedido da organização, cada pessoa levava seu próprio cartaz. Havia desde mensagens políticas tradicionais, como “Precariedade não escolhe idade”, mais elaborados, como “Quem governa o governo? Quem elegeu os mercados?”, até inusitados, como “Melhores condições, mais empreendedorismo”, “Outsourcing não reduz custos” ou “Com licenciatura, com mestrado, com namorado – sem emprego, sem casamento, sem futuro”.

Em vez de um cartaz, a publicitária Raquel Nanhiça, de 29 anos, usava uma moldura de quadro em frente da face. “Trabalho há cinco anos e nunca tive um contrato de trabalho”.

Sem 13º

Levando uma imagem ampliada de um recibo verde – nome do recibo padronizado para o trabalho autônomo em Portugal – o arquiteto paisagista Henrique Oliveira contou a sua situação: Estou há 11 anos trabalhando como precário, nunca recebi 13º salário e as férias são sempre por minha conta”.

Ao seu lado, o engenheiro Antônio Ratão falou por que foi para a manifestação: “Perdi o emprego na quinta-feira. Foi por extinção do posto de trabalho, porque a empresa não recebia dos seus clientes. Já respondi a 16 anúncios enviando currículos”, dizia, sem muita esperança.

Mesmo com emprego estável, a escriturária Rosa Pereira fez questão de participar: “É necessário alterar o sistema político. Estamos fartos. Estou aqui para deixar um futuro melhor para meus filhos.”

Pessoas ligadas a partidos e organizações políticas também participaram da manifestação. Os partidos de esquerda entraram sem levar suas bandeiras. Os anarquistas carregavam bandeiras pretas.

Já o Partido Animal – que defende os direitos dos animais – desfilou com cartazes e bandeiras próprias. A extrema direita era reconhecível pelos cabelos raspados e pelas tatuagens de motivos celtas e suásticas.


Fonte: BBC

-=-=-=-=-=

Jovens enrascados trazem famílias inteiras para a rua

"O País precário saiu do armário". Palavras de ordem como estas juntaram ontem um mar de gente na avenida da Liberdade, em Lisboa, na manifestação da ‘Geração à Rasca’, que se estendeu por todo o País em protesto por mais e melhores condições laborais. 


Por:Sofia Piçarra/L.O.


Mas o movimento, nascido de uma conversa de café entre quatro jovens desiludidos com a precariedade do mercado de trabalho, estendeu-se muito além de estudantes e recém-licenciados. Ontem, o desfile até ao Rossio foi acompanhado por novos e velhos, por famílias inteiras e não foram poucas as crianças que participaram, pela mão dos pais, na marcha. "Fui precária até há bem pouco tempo, mas tenho um filho de nove anos, e estou preocupada pelo futuro dele, que se avizinha", justificou Carla Castanheira ao CM. 



Aos 17 anos, uma jovem estudante marcou presença pelo seu próprio futuro, mas também segurando a faixa que reclamava contra o despedimento colectivo na empresa da mãe. E pelo caminho, uma mãe instigava a filha a receber um panfleto. "Aceita filha, porque quando chegar a tua vez ainda vai ser pior."


A presença de famílias e de muitas crianças pode explicar a forma pacífica como decorreu a marcha lenta, e ajuda a confirmar o carácter cívico e apartidário que a organização sempre reclamou para o movimento. Só a adesão de alguns elementos do Partido Nacional Renovador (PNR) mereceu alguns apupos e gritos de resposta de "apartidário, laico e pacífico" por parte da maioria.


A manifestação arrancou pouco depois das 15h30, junto ao Cinema São Jorge. Às 17h30, quando os primeiros protestantes chegavam ao Rossio, não se via ainda o fim do cordão humano que se estendia até à Praça do Marquês de Pombal.

A organização aponta cerca de 200 mil participantes, um número que engrossou graças à chegada da manifestação de professores que se juntou mais tarde ao grupo, embora não haja dados oficiais. Mas Manuela Weigel, de 43 anos, chegou antes. "Nós nascemos num bom tempo, tivemos sorte. O que vão fazer estes jovens a tanta formação?", questionava a docente.


Prevista para terminar no Largo de Camões, o elevado número de participantes empurrou a manifestação para o Terreiro do Paço, apesar de não ter sido pedida autorização para o trajecto. A marcha, que decorreu sempre sem incidentes, viveu aqui os momentos mais quentes, com alguns participantes a queimarem faixas. A chuva dispersou os últimos manifestantes, mas para ontem à noite estavam marcados convívios e festas para prolongar o encontro e o debate.

PROFESSORES JUNTAM-SE AOS FILHOS NA MARCHA


Na manifestação dos professores que decorreu ontem em Lisboa (ver página 20), foram várias as alusões ao protesto da ‘Geração à Rasca', que decorria à mesma hora. Muitos dos participantes referiram mesmo a adesão dos próprios filhos na marcha da avenida da Liberdade, à qual alguns acabaram mais tarde por se juntar. "Não somos a Geração Rasca, mas também estamos à rasca", declarou Ricardina Guerreiro, do Sindicato Nacional de Profissionais da Educação.


"ESTAMOS A SER ROUBADOS"


Nas cidades do Centro onde a ‘Geração à Rasca' organizou manifestações, a adesão foi a esperada e decorreram dentro da normalidade. Em Leiria, juntou-se meio milhar de pessoas, enquanto em Viseu estiveram 600. Menos pessoas concentraram-se em Coimbra e Castelo Branco. Talvez devido à intensa chuva que caiu, em Seia não se realizou o protesto.


Apesar do frio e da chuva que caiu a espaços, o Rossio, em Viseu, esteve bem composto por pessoas de todas as idades. Aliás, foram os mais velhos que animaram a manifestação e ajudaram os jovens, a maioria deles nada habituados a estas andanças. "Finalmente o povo pode falar à vontade", gritou João Oliveira Cruz, do alto de um improvisado palco, adiantando: "Estamos a ser roubados. Vamos gritar bem alto para que se acabe com o roubo dos reformados". Pelo palco passaram ainda jovens que contaram "as dificuldades para arranjar trabalho" e criticaram os dirigentes políticos, sobretudo o Governo e José Sócrates.


Paulo Agante, organizador do protesto, disse que "os objectivos foram cumpridos". Pelo Rossio passaram militantes de vários partidos e pessoas que escreveram em cartazes o que lhes vai na alma. A PSP vigiou o protesto de forma discreta e à distância.

Fonte: CORREIO DA MANHÃ (Portugal)





Nenhum comentário: