Monika foi
diagnosticada com mal de Parkinson quase nove anos atrás, e desde então
integra o coral Sing for Joy, grupo fundado em 2003, com vista
especificamente a pacientes da doença neurológica progressiva.
"Eu perco logo a voz
quando o Parkinson está forte. Cantar me ajuda a projetar, mantém meus
músculos exercitados". A moléstia atrofia os músculos, e como a voz "é
como qualquer músculo, se você não trabalhar, ela vai embora", explica
Monika.
Surpreendentemente,
realizou-se bem pouca pesquisa científica para verificar testemunhos
reais, como esse. Uma exceção é o Centro de Pesquisa em Artes e Saúde
Sydney De Haan, sediado na Inglaterra: desde 2005 seus integrantes
promovem o valor do canto para bem-estar.
"Aqueles que trabalham
na medicina e refletem sobre questões de saúde do ponto de vista médico
não têm considerado realmente o papel que as atividades criativas podem
ter para as pessoas, em relação à sua saúde", aponta Stephen Clift,
diretor do centro.
Medo de perder o ar
No momento, a
instituição se prepara para embarcar num estudo de grande porte sobre o
papel do canto para as pessoas com moléstias respiratórias. Com esse
fim, serão aplicadas técnicas padronizadas de avaliação para medir
função pulmonar, padrões de respiração e níveis gerais de atividade
antes e depois de um curso de canto.
Clift espera ser capaz
de provar que os elementos de controle respiratório envolvidos no ato
de cantar podem ajudar os pacientes a lidar com a própria condição e –
muito importante – administrar os níveis de estresse.
"A falta de ar pode
ser muito angustiante e assustadora, assim, eles têm que aprender a
lidar com ela. Acreditamos que cantar possa dar confiança às pessoas
para fazer mais do que pensam."
Bildunterschrift: Mal de Alzheimer é degenerativo
"Hospitais cantantes"
A carência de dados
científicos nesse campo não se deve apenas ao esnobismo dos
pesquisadores, ressalva Clift. "Artistas criativos como músicos e
pintores têm um pouco de preconceito contra pensar sobre o que fazem,
de uma perspectiva científica. Trata-se, em grande parte, de aproximar
duas áreas da vida consideradas distintas."
Há 25 anos Wolfgang
Bossinger trabalha como musicoterapeuta em hospitais psiquiátricos da
Alemanha. Incentivado pelo espantoso sucesso do coro que formara em
2006, em seu próprio hospital, ele fundou, três anos mais tarde, a rede
internacional Singende Krankenhäuser (Hospitais cantantes). Atualmente
11 hospitais certificados da Alemanha mantêm corais de pacientes, e
este ano será aberto um na Romênia, assim como o primeiro na Áustria.
"Formar corais nos
permite criar uma rede social. Isso ajuda as pessoas a não recairem no
isolamento, após saírem do hospital, e a se sentirem conectadas com
esses grupos", explica Bossinger.
Esse aspecto
socializante é especialmente poderoso para os que sofrem de doenças
como o mal de Parkinson ou a esclerose múltipla, que costumam se
confinar entre as quatro paredes do lar, isolando-se da sociedade – um
fato que, por sua vez tende a acelerar a degeneração de seu estado.
Também prevenção
Bossinger acrescenta
que a atividade coral se provou especialmente vantajosa na reabilitação
de pacientes femininas de câncer. "Descobrimos que cantar as ajuda a
lidar com a aflição. "O coro forneceu, ainda, um fórum onde as mulheres
se encontram e podem compartilhar sua dor emocional, e "elas ficam
muito mais fortes no nível emocional".
Mas o canto não tem
valor apenas para os que já padecem de uma moléstia, sublinha Günter
Kreutz, professor de musicologia sistemática na Universidade Carl von
Ossietzky, em Oldenburg. Ele publicará em 2011 um livro sobre música,
saúde e bem-estar, pela primeira vez combinando pesquisas nos campos da
música, psicologia e musicoterapia.
"Quem aprendeu um
instrumento ou dança regularmente tende menos a desenvolver doenças
cerebrais degenerativas, como Alzheimer ou demência. Assim, há indícios
iniciais de que, a longo prazo, atividades culturais podem trazer
benefícios significativos à saúde e reduzir bastante os riscos à
mesma", declara o professor Kreutz.
Corações batendo juntos
Corações que cantam mantra juntos, batem juntos
Benefícios médicos à
parte, cantar permanece sendo uma atividade prazerosa e universal,
lembra Bossinger. "Originalmente, em todas as culturas, a música era
algo que envolvia a todos." Segundo o musicoterapeuta, um estudo provou
que os corações daqueles que cantam um mantra em grupo, batem juntos.
"Quando se canta
junto, não há apenas uma vibração emocional conjunta, é toda a
fisiologia, os corpos vibrando juntos." Wolfgang Bossinger compara esse
fenômeno, que "nos toca tão profundamente" com um campo de ressonância
numa mesma frequência.
Para uma paciente de
Parkinson como Monika, estar cercada de música ajudou-a a realizar
coisas que ela jamais pensara serem possíveis. "Quando toca música
animada, bem rítmica, consigo dançar como antigamente, é
extraordinário", comenta. "Não entendo como acontece, mas eu adoro!"
Autor: Sarah Stolarz (av)
Revisão: Carlos Albuquerque
Revisão: Carlos Albuquerque
Fonte: DEUTSCHE WELLE


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