Cientistas acreditam que o Lago Vostok esconde formas de vida pré-históricas ou ainda desconhecidas
Reuters
Por 15 milhões de anos um lago escondido pelo gelo
ficou inacessível no coração da crosta congelada da Antártida,
escondendo possivelmente formas de vida pré-históricas ou ainda
desconhecidas. Agora, cientistas russos estão prestes a penetrar no
local, revelando seus segredos.
"Falta só um pouquinho para chegarmos", afirmou
Alexei Turkeyev, chefe da estação polar russa Vostok. Sua equipe
perfurou camadas de gelo por semanas em uma corrida para alcançar o
lago, a 3.750 metros de profundidade, antes do final do breve verão
antártico.
Ali foi registrada a menor temperatura já
observada na Terra - menos 89.2 °C. Com a rápida chegada do inverno, os
cientistas serão forçados a sair da região no último vôo da estação, no
próximo dia 6.
"Está menos 40 °C lá fora, mas aconteça o que
acontecer, estamos trabalhando. Estamos nos sentindo bem até agora. Só
faltam cinco metros para chegarmos ao lago e esperamos que seja em
breve."
Os cientistas suspeitam que as águas do lago vão
revelar novas formas de vida, além de mostrar como era o planeta antes
da era do gelo e como a vida evoluiu. Acham ainda que o local pode
possibilitar um vislumbre das condições para desenvolvimento de vida na
lua de Marte e Júpiter - chamada Europa.
"É como explorar um outro planeta onde ninguém
esteve antes. Não sabemos o que iremos encontrar", afirmou Valery Lukin,
do Instituto Russo de Pesquisas dos continentes Ártico e Antártico.
Corrida exploratória
Cem anos depois da primeira expedição ao Pólo Sul,
a descoberta de uma rede de lagos subterrâneos via imagens de satélite
nos nos anos 1990 provocou uma nova febre exploratória entre os
cientistas ao redor do mundo.
Exploradores americanos e ingleses estão na trilha
dos cientistas russos com missões de chegar a outros lagos
subterrâneos, alguns dos últimos locais inexplorados do planeta.
"É um ambiente de características extremas mas deve
ser habitável. Se for, nossa curiosidade nos levará a entender o que
existe lá. Que tipo de vida?", pergunta-se Martin Siegert, chefe da
Faculdade de Geociências de Edimburgo, que está comandando uma expedição
britânica para um lago polar um pouco menor.
Os especialistas dizem que a camada de gelo atua
como um edredon, aprisionando o calor geotérmico da Terra e impedindo
que os lagos congelem. Os sedimentos do lago podem levar os cientistas a
voltar no tempo em milhões de anos, para uma época préhistórica
tropical.
Oásis sob o gelo
O Lago Vostok, mais ou menos do tamanho do Lago
Baikal, na Sibéria, é o maior, mais profundo e isolado dos 150 lagos
subglaciais encontrados na Atrártica. Está supersaturado com oxigênio,
não sendo conhecido, na Terra, nenhum outro ambiente do gênero.
"Os russos estão iluminando o caminho com uma
tocha", afirmou John Priscu, da Universidade do Estado de Montana, chefe
da expedição americana que explora outro lago. "Acredito que o Lago
Vostok seja um oasis de vida sob o gelo. Seria realmente incrível que
tivéssemos amostras de lá. Mas até que saibamos como chegar ao sistema
lacustre da forma menos impactante possível, isso permanece como uma
questão a se discutir."
As edificações e torres de rádio da estação Vostok
foram construídas sobre a capa de gelo que protege o enorme lago. O
poço que serve à estação usa querosene e freon para se manter sem risco
de congelamento e está suspenso sobre o lago intocado.
Os exploradores agora estão diante do seguinte
desafio: como chegar ao lago sem danificá-lo e sem correr o risco de
trazer à tona algum vírus desconhecido?
"Estou muito animado com as perspectivas. Mas
sabemos que, uma vez consumada a iniciativa, não há volta", diz Alexei
Ekaikin, cientista da expedição russa ao Lago Vostok.
Fonte: ESTADO DE SP
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