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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Somali que atacou caricaturista de Maomé é considerado culpado


Um somali de 29 anos foi considerado culpado nesta quinta-feira de tentativa de terrorismo e assassinato ao tentar matar, há um ano, o caricaturista dinamarquês Kurt Westergaard, autor de uma caricatura do profeta Maomé.

"A Corte estima que uma tentativa de assassinato de Kurt Westergaard, que personifica o ocorrido em torno das caricaturas de Maomé, deve ser considerado como uma tentativa de instigar um medo muito forte à população e desestabilizar as estruturas da sociedade", o que entra no marco da lei antiterrorista dinamarquesa, afirmou a juíza Ingrid Thorsboe.
A decisão do tribunal --formado por um júri popular e três juízes-- foi adotada "por unanimidade, segundo ela.
A pena, que pode chegar à prisão perpétua, será anunciada nesta sexta-feira.
Durante o julgamento, o somali --cuja identidade foi mantida em sigilo-- havia assegurado que apenas queria "assustar, não matar" o caricaturista.
A Promotoria insistiu na acusação de terrorismo porque, segundo ela, o somali atuou inspirado em organizações fundamentalistas como a Al Qaeda.
A defesa alegou que a intenção do acusado era fazer dado ao caricaturista, e não à sociedade dinamarquesa e que, por isso, a acusação de terrorismo não se sustentava.
O acusado havia admitido apenas os delitos de invasão de moradia e de posse ilegal de armas --um machado e uma faca--, o que fez com que Westergaard o chamasse durante o julgamento de "pequeno covarde mentiroso".
WesterGaard, que atualmente tem 75 anos, foi ameaçado de morte várias vezes desde que seu jornal, "Jyllands-Posten", publicou, em 30 de setembro de 2005, uma caricatura satírica representando o profeta Maomé --líder da religião islâmica-- vestido com um turbante em forma de bomba com o pavio aceso.
EPISÓDIO
O episódio ocorreu na noite de 1º de janeiro de 2010, quando o somali, que viajara naquele dia de trem desde Copenhague, entrou na casa do caricaturista em Viby, nas proximidades de Aarhus.
Alarmado com o ruído, Westergaard --que estava cuidando da sua neta de 5 anos-- refugiou-se em um banheiro que converteu em bunker de segurança e, dali, chamou a polícia, enquanto o somali tentava abrir a porta a machadadas.
A polícia chegou poucos minutos depois, e o agressor ainda atacou um dos agentes, que responderam com tiros e feriram uma perna e uma mão do somali.
As caricaturas dinamarquesas, entre elas a de Westergaard, provocaram meses depois fortes protestos no mundo islâmico, com distúrbios em vários países nos quais morreram cerca de 150 pessoas, além de um boicote a produtos dinamarqueses. 

Fonte: FOLHA DE SP

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