Grande parte das estátuas do Cristo Redentor e de Nossa Senhora
Aparecida, no Brasil, são da China. Bolsas de palha, colheres de madeira
e cestas de vime parecidas com as do artesanato indígena e tapetes
"persa" vêm do país. E, em Veneza, metade do vidro vendido como Made in
Murano é feito por mãos chinesas, fora da Itália.
A China avança nas cópias de produtos típicos, e os clones vão do
artesanato, caso do vidro veneziano e do tapete do Irã, aos materiais
sintéticos, cuja semelhança com os originais engana os leigos.
O preço é o principal atrativo. José Ribamar Ramos, que vende objetos de
palha no atacado em São Paulo, diz que as bolsas chinesas custam até
metade do preço. "O cara que compra para revender nem quer saber se a
mercadoria é chinesa ou não."
Na loja Minas Presentes, na rua 25 de Março -região de comércio popular
em São Paulo-, estátuas de santos feitas na China ocupam prateleiras do
chão ao teto. "Só os vendedores são brasileiros. O resto é tudo chinês",
graceja a vendedora.
Em Aparecida (SP), que recebe devotos de Nossa Senhora Aparecida, as imagens chinesas também ganharam espaço.
O vendedor Wilson Bueno de Gouvea, dono da loja Todos os Santos, diz que
a indústria chinesa é inovadora. "Eles inventam porta-caneta, fonte de
Nossa Senhora... Às vezes, eles lançam primeiro e depois a gente é que
copia."
CHINA EM VENEZA
Na Europa, com a crise, a dificuldade de competir com o produto chinês é
ainda maior. O artesão italiano Paolo Birello, da Ama (Associação dos
Mestres Artesãos), de Veneza, diz que a recessão impôs um padrão de
preços muito difícil de igualar.
Enquanto um brinco de vidro italiano custa cerca de 25 (R$ 57), o chinês é comercializado por 6 (R$ 14).
O artesão italiano destaca que os produtos chineses estão cada vez mais
perfeitos. Mas ele critica a prática de vender o produto asiático como
se fosse o italiano.
"A Itália é um país livre, cada um vende o que quer. Mas que digam o que
estão vendendo, que aquilo é feito por um artesão chinês, e não um
artesão veneziano."
O mesmo problema é enfrentado pelo artesão Janio Vargas, do Rio de
Janeiro, que vende objetos feitos com pedras brasileiras. Enquanto seus
anéis saem por cerca de R$ 20 na feira hippie de Ipanema, peças com
cópias de pedras "brasileiras" feitas na China são vendidas por R$ 7.
"De 100 pessoas, 99 são leigas. Eu é que tenho de convencê-las de que
meu produto é de boa qualidade, feito à mão, e que o outro vem de uma
fôrma de onde saem milhões de peças iguais."
Também na feira de Ipanema, famosa por itens de couro, há vendedores que
trabalham com isqueiro a tiracolo, diz o artesão Ivan Jilek. Ele afirma
que o sintético é difícil de ser identificado a olho nu, mas não
resiste ao fogo.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
![]() |
ACABAMENTO
Em alguns casos, o produto chinês pode ter acabamento mais perfeito que o
original. Najad Khouri, dono da Isfahan Tapetes e Kilims, no Rio,
destaca que o tapete chinês que clona o persa não tem imperfeições na
trama.
"O tapete chinês é tão perfeito que parece feito por uma máquina. E o
tapete persa não pode ser perfeito. No islamismo, só Alá é perfeito."
Khouri destaca que os tapetes chineses são padronizados -algumas
estampas são escolhidas e o artesão as reproduz em série. "O chinês
fabrica mais rápido e o preço cai. E o artesão persa é mais
indisciplinado que o chinês. Ele cria enquanto trabalha."
Fonte: FOLHA DE SP - VERENA FORNETTI
-=-=-=-=
*Mantenedor: minha não, pois quem tem senhor e senhora é escravo, servo.
-=-=-=-=
*Mantenedor: minha não, pois quem tem senhor e senhora é escravo, servo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário