DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE
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om os Estados Unidos liderando a tendência, a obesidade no mundo dobrou
entre 1980 e 2008, de acordo com uma pesquisa global publicada hoje no
"Lancet".
É preciso reverter a tendência para aumentar a longevidade
China passou da privação à gula exagerada em duas gerações
Pressão e taxas de colesterol caem nos países mais ricos
Nutricionista explica dieta dos "países magros'
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Há 31 anos, 4,8% dos homens e 7,9% das mulheres tinham índice de massa corporal acima de 30, o que configura obesidade.
Três anos atrás, 9,8% dos homens e 13,8% das mulheres já tinham passado
dessa marca. Assim, mais de um adulto, em cada grupo de dez, está obeso.
O estudo, conduzido por pesquisadores do Imperial College London e de
Harvard, com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Fundação
Bill e Melinda Gates, é dividido em três partes: obesidade, pressão
arterial e colesterol.
Foram pesquisados dados de 199 países e territórios, desde 1980 até 2008.
O Brasil acompanhou a tendência de alta da proporção de gordos.
A China também é destaque, com aumento do índice de massa principalmente entre os homens.
MENOS SONO
Apesar de os hábitos alimentares terem muito a ver com isso, os
processos de urbanização e automatização têm culpa maior, segundo o
endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do laboratório de
metabolismo e diabetes da Unicamp.
"O gasto energético foi muito reduzido. Não precisa ir muito longe. Sua
bisavó, quando tomava suco, espremia a laranja. Hoje, é só abrir a
geladeira."
Outra questão importante é a privação de sono. De acordo com Geloneze,
de 50 anos para cá, o mundo está dormindo duas horas a menos por noite, o
que tem ligação direta com o peso.
"Há uma desregulação do gasto energético, da produção de hormônios da
saciedade e uma ativação da glândula suprarrenal, que faz adrenalina e
cortisol. Tudo isso facilita o ganho de peso", diz o endocrinologista.
Os Estados Unidos, país que liderou a alta da obesidade, vem tentando
atacar o problema com incentivos à alimentação saudável e à prática de
exercícios.
De acordo com Geloneze, essas medidas são mal orientadas, porque dão
peso muito grande para alimentação e esportes. "Não pode algo
pró-esporte. As atividades físicas não programadas, como deslocamentos,
pesam mais. O importante é que as cidades permitam que a pessoa ande de
bicicleta, a pé."
O consumo de alimentos processados e a ocidentalização da dieta dos
orientais contribuem para o fenômeno. O mundo está abandonando a comida
in natura em favor da processada, com densidade de calorias muito maior.
A dificuldade de combater o ganho de peso é maior do que a enfrentada na
redução de hipertensão e colesterol, que podem ser mais facilmente
controlados com medicamentos. "A obesidade envolve consumo alimentar,
muito ligado à emoção e estilo de vida. Não há pílula mágica para tratar
isso."
Fonte: FOLHA DE SP
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