
A Grécia abriu nesta segunda-feira (30/04), na periferia da capital,
seu primeiro campo de detenção especialmente construído para imigrantes
sem permissão de residência. A inauguração transcorreu a uma semana das
eleições nacionais, em cuja campanha a imigração tem emergido como fator
central, em meio a recessão e endividamento crônicos.
Pesquisas de intenção de voto mostram que os extremistas de direita
contam com o apoio de 5% do eleitorado grego. Isso lhes garantiria
assentos no parlamento pela primeira vez. Os imigrantes têm sido alvo da
campanha eleitoral dos radicais.
Como recurso para conquistar votos, o partido socialista PASOK,
atualmente no poder, e seu rival conservador Nova Democracia também
prometem combater a imigração. Numa manifestação em Atenas, nesta
segunda-feira, o ministro da Proteção Civil, Miahlis Chrysohoidis,
declarou: "Estamos enviando uma mensagem em todas as direções: o país
não está mais desguarnecido".
Na semana anterior, o líder oposicionista conservador Antonis Samaras
declarara que deteria o que chamou de "invasão desarmada" por parte de
imigrantes sem permissão.

Polícia grega torna difícil a vida dos estrangeiros
Moradores protestam: medo da criminalidade
Segundo um porta-voz da polícia, o campo de detenção comporta até mil
presos. Até o momento, várias dezenas de pessoas foram transferidas para
o local e alojadas em contêineres originalmente destinados a abrigar
vítimas de desastres naturais, como terremotos.
A unidade se situa em Amygdaleza, no limite norte de Atenas. Seus
moradores realizaram uma série de protestos contra a inauguração,
alegando que o campo contribuirá para aumentar a criminalidade no local.
Segundo Panayiotis Anagnostopoulos, vice-prefeito de Acharnes, a 25
quilômetros da capital, as autoridades locais já apelaram para a
Justiça, numa tentativa de sustar a inauguração do campo. "Espero que os
tribunais ajam rapidamente", declarou.
Até meados de 2013, está planejada a construção no país de um total de 50 campos de detenção para imigrantes não legalizados.
Cercas e batidas
As autoridades gregas estão também erguendo uma cerca de arame ao longo
de parte do Rio Evros, que faz fronteira com a Turquia e configura um
importante ponto de ingresso dos imigrantes ilegais.
Nos últimos anos – desde a adoção de medidas de controle mais severas
nas outras fronteiras no Mar Mediterrâneo – a Grécia se tornou o
principal ponto de acesso à União Europeia para imigrantes sem papéis. A
cada ano, cerca de 130 mil deles – 90% do volume total do bloco de 27
países – entram na UE através da Grécia.
Numa batida no início de abril, a polícia deteve milhares de chamados
"imigrantes ilegais" que ocupavam prédios vazios em Atenas. As
autoridades calculam que haja cerca de 1 milhão de imigrantes em meio à
população da capital, de 11 milhões de pessoas. Atualmente estão sendo
processados 30 mil requerimentos de asilo.
Extremistas em ascensão

Dezenas de pessoas já foram transferidas para campos de detenção
Até pouco tempo atrás, o partido Aurora Dourada era relativamente
obscuro. Nas eleições de 2009 ele conseguiu ínfimo 0,23% dos votos. Seus
membros fazem saudações fascistas e preconizam responsabilizar os
políticos pela crise econômica nacional, deportar os imigrantes e selar
as fronteiras nacionais com minas terrestres.
Recentemente, Ilias Nicolacopoulos, professor de Ciência Política na
Universidade de Atenas, advertiu para um avanço do Aurora Dourada nas
pesquisas de opinião. Ele classifica o grupo como "a forma mais extrema
da extrema direita".
Ketty Kehagioglou, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas
para Refugiados (Acnur) em Atenas, confirmou existir na Grécia "uma
tendência alarmante de ataques racistas contra estrangeiros não
pertencentes à UE". "Em épocas de instabilidade é sempre fácil procurar
bodes expiatórios", declarou.
AV/afp/rtr/dapd/dpa
Revisão: Francis França
Fonte: DEUTSCHE WELLE
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