Animais teriam sido soterrados para o terreno ser usado como estacionamento

Espécie de coruja buraqueira também pode ser encontrada no Costão do Santinho, em Florianópolis
Foto:
Hermínio Nunes / Agencia RBS
Moradores de Jurerê Internacional, em Florianópolis, denunciaram ao
Ministério Público o desaparecimento de corujas buraqueiras que viviam
em um terreno que pertence a uma construtora. Segundo eles, os animais
foram soterrados para que o local fosse usado como estacionamento de um
clube. Essa espécie de coruja cava buracos no chão para abrigar os
filhotes.
De acordo com a moradora Betina Martins, além de os carros
supostamente destruírem as tocas, os buracos teriam sido tapados com
estacas o que pode ter matado fêmeas e filhotes. Betina contou em
entrevista à RBS TV que chamou a polícia várias vezes, fez um Boletim de
Ocorrência e se surpreendeu ao ver os ninhos soterrados.
— Nunca me passou pela cabeça que alguém colocaria estacas e
soterraria para matar. Percebi depois de cinco dias sem ver as
corujinhas aqui. Resolvi dar uma olhada e não acreditei no que vi.
Sinceramente chorei muito naquele dia — relatou Betina.
Ela disse que destapou as tocas quatro vezes e recolheu as estacas
usadas para soterrá-las, mas não adiantou. Segundo a moradora, havia
sete ninhos com cerca de seis corujas em cada um deles. Agora, sobraram
três corujas, que seriam machos. A época de reprodução desta espécie foi
em março.
— Vimos os três, que acreditamos ser machos, gritando pela família que não estavam mais aí — afirmou o morador Antônio Mormul.
— Vamos nos deslocar mais uma vez até o local, tomar o depoimento do
dono terreno, da empresa que fez a obra, da senhora Betina, a
testemunha. Além de procurar naquele terreno indícios de que as corujas
foram mortas — disse o capitão Jardel Carlito da Silva, da Polícia
Ambiental.
Moradores organizam manifestação
A empresa, proprietária do terreno, disse que vai consultar a
Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) para saber quais medidas
deve tomar. O clube que supostamente usa o terreno como estacionamento
disse que a casa tem estacionamento próprio e não tem nada a ver com o
fato de os clientes usarem o local para deixar os carros.
Os moradores organizam uma manifestação no próximo sábado em frente ao terreno.
— Que ser é esse que chega aqui e faz uma coisa assim? Tinha
filhotes. Nós não vamos desistir — disse a ambientalista Mari Paines.
Com informações da RBS TV, via DC
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