Antes da função de policiamento
civil ser concentrada em Canasvieiras (7ª Delegacia), Ratones contou com
delegados próprios. Um nativo e ainda morador do Distrito, relata que o
Delegado conhecido como seu Quido (EUCLIDES DAMASCO), que atuou durante 22 anos
no cargo, lhe aplicou, assim como a
outros garotos envolvidos na traquinagem, como conseqüência de um furto de
pequeno valor (aqueles costumeiros furtos de melancia e abacaxi, de natureza famélica, ou decorrentes de
simples molecagem) um corretivo sui generis:
arrancar congonha (também conhecidas como rinchão) com as próprias mãos. Era a
antecipação do que hoje o Poder Judiciário chama de penas alternativas. Assim, o
Delegado Quido (que foi nomeado à época do Governo Ivo
Silveira, pelo então Secretário de Segurança, Dr. Heitor Sché), deu lição de
sapiência, evitando que os garotos fossem levados às barras dos Tribunais e
conduzidos à cadeia, onde, certamente, teriam se aperfeiçoado com criminosos
perigosos, passando do simples furto esporádico de frutas para delitos de muito maior potencial lesivo.
Outro delegado,
citado pelo Sr. PONCIANO, foi o cidadão Boaventura
Antonio Pereira, que era casado com dona Maria Elpo. O Sr. Boaventura foi
nomeado pelo interventor Nereu Ramos, ocupou o cargo de Delegado de Polícia
entre os anos de 1937 e 1962, ou seja, durante 25 longos anos, vindo a falecer
em 29/07/1979, segundo seu filho (Cilo).
Também
exerceu as funções de Delegado o Sr. LEOPOLDO ALVES DE BRITO. Conta o Sr. ALDO
que, certa feita, acometia o gado vacum e cavalar de nossa região uma doença
maligna (raiva) e a população, devota de São Sebastião (pobre gente inocente!), mobilizou-se e realizou
uma procissão, para pedir a intersecção do Santo e a cessação daquela doença,
que tanto prejuízo dava.
Alguns circunstantes, aproveitando-se do evento
social-religioso, tomaram umas cachaças além da conta e o resultado foi uma
bela confusão, que resultou na ação do Delegado Leopoldo (este ofendido,
durante a tentativa de acabar com a balbúrdia) que mobilizou a Polícia do
centro desta Capital, mandando prender diversos encrenqueiros.
Parece algo sem
maior significado, mas, naquela época, algum dos nativos dormir na cadeia era motivo de grande vergonha e comentários
por longo tempo.
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