Marcio Antonio Campos, 13/05/2011
Stephen Eastop/stock.xchng
A Universidade de Cambridge chamou uma série de jornalistas que escrevem sobre ciência e religião (eu até que gostaria de ir, mas não fui convidado; parece que era um evento apenas para quem já participou de outros programas da universidade) para, durante alguns dias, conversar com especialistas muçulmanos, ou vindos do mundo islâmico, para debater as perspectivas para a ciência no Oriente Médio e Norte da África. A pergunta que todos se fazem é: as revoluções que estão derrubando ditadores vão impulsionar o progresso científico?
Como se pode ver pelos relatos de Cathy Lynn Grossman e Michelle Boorstein, há os otimistas e pessimistas. Quase todos concordam que não exista algo que se possa chamar de "ciência islâmica", embora a ciência também tenha um uso, digamos, "ritual", como no caso do debate sobre o início do mês sagrado do Ramadã, citado por Michelle. Também parece haver um consenso de que a ciência no mundo islâmico, depois de um período de glória na Idade Média, sofreu um grande declínio.
O problema é que ainda não está claro o que vai emergir das ruínas das ditaduras do Oriente Médio. Se a democracia realmente prevalecer, o ambiente será muito mais propício para um ressurgimento da ciência, como espera a bióloga jordaniana Rana Dajani. Mas, por outro lado, se grupos extremistas (no Egito, a perseguição aos cristãos aumentou depois da revolução) acabarem tomando o poder, seja pela força, seja usando a própria democracia para enfraquecê-la depois, os cientistas podem esperar dias difíceis. Na Arábia Saudita (que chegou a mandar tropas para ajudar vizinhos a reprimir protestos), por exemplo, o projeto do rei para a modernização das universidades e a ampliação do conteúdo de ciências no currículo vem sendo sabotado por outros membros da família real. Muito provavelmente vai ser o caso de esperar para ver o que acontece.
O futuro da ciência nos países muçulmanos que vivem revoluções políticas vai depender da adoção da democracia ou do extremismo como forma de governo.
Fonte: GAZETA DO POVO (Curitiba)
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