Mulher-atômica solta livro e complica eleição para Sarkozy
De ROMA, exclusivo para o Portal Terra.
Fora a crise econômica, os europeus se informam permanentemente
sobre eleições na França, cujo primeiro turno ocorrerá nos próximos 10
dias.
Hoje, fala-se do livro da “Atomic Anne”, cujo título, A Mulher Que Resiste (Le
Femme Qui Résiste) tirou, desde o lançamento ontem, o sono do
presidente francês Nicolas Sarkozy, de 57 anos, eleito em 2007.
Aos 52 anos e considerada uma das maiores autoridades em questões
nucleares, Anne Lauvergeon — apelidada “Atomic Anne” e já manda-chuva do
Areva, o maior e mais antigo complexo nuclear do mundo — conta como
Sarkozy montou um clã para controlar a França e satisfazer suas vontades
“napoleônicas”, como se fosse um casting de televisão.
Atomic Anne fala do alto de quem recusou um ministério de Sarkozy,
após ter deixado o comando do colosso nuclear Areva. Ela explica as
razões de haver deixado o governo e se distanciado, frise-se, do clã
aparelhado a serviço de Sarkozy, e não da França.
Uma das bombas do livro La Femme Qui Résist diz respeito
ao falecido e sanguinário ditador líbio Muammar Kadafi. Depois da
intervenção de Sarkozy na liberação das enfermeiras búlgaras
aprisionadas pelo ditador líbio sob a falsa acusação de elimarem
pacientes, o presidente francês comprometeu-se a vender a Kadafi um
reator nuclear, a pretexto de uso na dessalinização de água do mar. Não
fosse a resistência no seio do governo de Atomic Anne o negócio seria
fechado. E isso tudo aconteceu, frisou Atomic Anne, um ano antes do
início da revolta em Bengasi, que derrubou o ditador.
Outro episódio contado por Anne mostra o lado mitômano de Sarkozy
em busca de uma liderança internacional, ainda que com promessas
impossíveis de serem cumpridas. Na tragédia nuclear de Fukushima, o
Japão solicitou a opinião técnica de Atomic Anne, que não se furtou. Tão
logo soube, Sarkozy foi para o Japão como pronto a resolver na solução
técnica.
Por evidente, Anne vai votar em François Hollande, dado na última
pesquisa como primeiro colocado e, portanto, nome certo para disputar o
segundo turno: não se cogita em vitória de Hollande no primeiro turno.
Outro episódio do livro, a mostrar aquilo que Atomic Anne define
como formação de clã, com ministros no papel de meros sabujos do
presidente Sarkozy, diz respeito à Air France. A autora do livro, depois
de recusar ministérios, narra ter Sarkozy oferecido-lhe a presidência
da Air France. Na negativa ao convite, ela teria disparado: “Sei tudo
de centrais nucleares e absolutamente nada de aviação”.
Sobre a Air France, e quando do convite, Atomic Anne revela que o
interessado no posto era Alexandre de Juanic, amigo íntimo e seguidor
fiel das ordens de Sarkozy. Mas, sobre Juanic, o presidente disse a
Atomic Anne que ele não sabia nada de aviação. No livro, a
autora pergunta quem virou presidente da Air France e, na sequência, dá a
resposta: Alexandre de Juanic.
Pano rápido. Ao contrário do Brasil, onde o livro A Privataria Tucana foi
ignorado por parte da mídia, na França, terra dos enciclopedistas, do
Iluminismo, da Revolução e dos Direitos do Homem e do Cidadão, não dá
para esconder nada. E cada um, faz o próprio juízo sobre as obras
publicadas.
Wálter Fanganiello Maierovitch
Fonte: TERRA

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