A advogada defensora dos direitos humanos Nasrin Sotoudeh, detida em setembro no Irã, foi condenada a 11 anos de prisão e proibida de exercer sua profissão por 20 anos, como punição por "ações contra o regime iraniano", informou seu marido nesta segunda-feira.
"[Os juízes] disseram ao advogado de minha mulher que ela havia sido
condenada a 11 anos de prisão e a 20 anos de proibição de exercício da
advocacia, além de ter sido expulsa do Irã", declarou Reza Khandan,
marido de Nasrin.
Khandan explicou que sua mulher, presa no dia 4 de setembro, foi
declarada culpada de "ações contra a segurança nacional, propaganda
contra o regime e por pertencer ao Centro de Defensores dos Direitos
Humanos", grupo iraniano fundado pela também iraniana Shirin Ebadi,
vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2003.
Nasrin, 45, defende alguns dos acusados de induzir os grandes protestos
de junho de 2009 contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad.
Em outubro, ela afirmou ao marido que estava em greve de fome em
protesto contra sua prisão e alegou que foi confinada em uma cela de
isolamento e que recebeu diversas ameaças.
O Irã está imerso na pior crise política e social de sua história
recente desde que, em junho de 2009, centenas de milhares de pessoas
saíram às ruas de todo o país para protestar contra a reeleição do
presidente, considerada uma fraude pela oposição. Na repressão das
mobilizações, cerca de 20 pessoas morreram, segundo o governo, e mais de
70 de acordo com o cálculo dos opositores.
Cerca de cem pessoas, entre elas líderes da oposição e ex-membros do
antigo governo reformista, foram julgadas e condenadas à prisão,
acusadas de ameaçar a segurança nacional e participar de uma suposta
conspiração articulada no exterior.
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