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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Saudita é condenada por agredir brutalmente doméstica


A indonésia chegou ao hospital com ossos quebrados e queimaduras

Uma mulher saudita, cuja identidade não foi revelada, foi condenada a três anos de prisão por agredir brutalmente sua empregada doméstica, uma imigrante indonésia.
Sumiati Binti Salan Mustapa, de 23 anos, foi internada em um hospital da Arábia Saudita em novembro de 2010 com ossos quebrados e queimaduras no rosto e no corpo.
Ela havia chegado à cidade saudita de Medina em julho do mesmo ano em busca de trabalho.
Segundo jornais locais, a empregadora de Mustapa diz ser inocente.
O caso causou revolta na Indonésia, e o presidente do país, em pronunciamento, exigiu justiça.
Maus tratos
Segundo o jornal saudita Al-Watan, a suposta agressora foi condenada com base em um novo decreto real da Arábia Saudita contra o tráfico humano.
Um oficial do consulado da Indonésia na Arábia Saudita, Didi Wahyudi, disse ao serviço indonésio da BBC que o país deverá pressionar por uma pena mais dura para a mulher.
"Vamos submeter uma objeção contra o veredicto do juiz, porque a sentença é muito leve comparada com a pena máxima de 15 anos pela lei saudita. Já Sumiati sofreu consequências muito grandes", disse.
A empregadora de Mustapa foi acusada de ter batido tão fortemente na empregada que ela fraturou ossos e teve sangramento interno.
A mulher também foi acusada de colocar um ferro de passar quente na cabeça da empregada doméstica e de golpeá-la repetidas vezes com uma tesoura.
Sumiati Mustapa foi ao tribunal na última semana para mostrar suas cicatrizes ao juiz. Ela já passou por uma cirurgia, mas, segundo o consulado indonésio, precisará de outra operação.
Punição rara
O caso provocou indignação entre grupos de direitos humanos, que alertaram para a falta de proteção a milhões de empregadas domésticas - muitas das quais são imigrantes dos países do sudeste asiático - na Arábia Saudita em outros países do Golfo.
Nos últimos anos, uma série de casos de tortura e maus-tratos a domésticas foram trazidos a público na região. No entanto, os agressores raramente recebem punições maiores que uma multa.
Christoph Wilcke, um pesquisador de Oriente Médio da organização Human Rights Watch, disse à BBC que está é a primeira sentença de prisão de que ele já ouviu falar em um caso de abuso de trabalhadoras domésticas imigrantes, apesar de já ter havido casos de prisão pré-julgamento.
"Há tanta atenção a estes casos com muita exposição na mídia, como o de Sumiati, que as autoridades sauditas precisaram fazer algo sobre isso. É um sinal de melhora muito pequeno, mas encorajador."

Fonte: BBC

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