
Gregoire (ao centro) tinha prognóstico de poucas semanas de vida em 2006
Pesquisadores espanhois
conseguiram eliminar um tumor maligno de um paciente com câncer de
pâncreas em estado avançado graças a uma técnica que envolveu o
transplante do tumor para camundongos.
O paciente, o americano Mark Gregoire, havia
recebido em maio de 2006 o prognóstico de uma sobrevida de poucas
semanas. Três de seus sete irmãos morreram em consequência do mesmo tipo
de câncer de pâncreas, que mata 95% dos pacientes.
Mais de quatro anos depois, Gregoire, de 65
anos, não apresenta mais sinais do tumor em seu corpo, apesar de os
médicos ainda advertirem que é cedo para dizer que ele foi totalmente
curado.
Os pesquisadores, da Universidade John Hopkins,
nos Estados Unidos, e do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas (CNIO,
na sigla em espanhol), de Madri, desenvolveram as células do tumor que
acometia Gregoire em camundongos de laboratório, para que pudessem
testar simultaneamente a reação do tumor a dezenas de possibilidades de
remédios sem expor o paciente aos possíveis efeitos colaterais.
Com isso, eles descobriram que o câncer de
Gregoire podia ser tratado com a droga mitomicina-C, uma droga que inibe
a divisão das células tumorais. O paciente vinha recebendo doses de
quimioterapia padrão para câncer de pâncreas, sem resultados, mas se
recuperou rapidamente com o novo tratamento.
“Todos os tumores têm um ponto vulnerável, mas a
dificuldade é identificar isso, por conta da diversidade genômica dos
tumores”, explicou à BBC Brasil o coordenador do estudo, Manuel Hidalgo.
“A probabilidade de que outro paciente com
câncer de pâncreas tenha o mesmo tipo de tumor que Gregoire é de 1% a
3%”, diz ele. As variações possíveis de tratamentos chegam a quase cem,
segundo ele. “Daí a necessidade de personalizar o tratamento”, afirma.
Genoma
Paralelamente ao estudo do efeito dos remédios
com a ajuda dos camundongos, os médicos sequenciaram o DNA das células
cancerígenas do paciente para identificar a mutação genética responsável
pelo desenvolvimento do câncer.
“Analisamos cerca de 20 mil genes e encontramos
uma mutação em um deles que explica por que o tumor responde bem à
mitomicina-C”, relata Hidalgo.
Assim, será possível no futuro identificar se
outro paciente tem um tumor com a mesma variação genética que a de
Gregoire, eliminando a necessidade do procedimento com os camundongos.
O estudo do caso de Mark Gregoire foi relatado em um artigo publicado na última edição da revista especializada Molecular Cancer Therapeutics.
Segundo Hidalgo, a técnica com o transplante do tumor a camundongos vem
sendo ainda testada com outros 15 pacientes, com nível de sucesso
semelhante.
Segundo Hidalgo, a agressividade dos tumores
está relacionada em parte à falta de tratamento adequado a eles, o que
pode ser resolvido pela nova técnica. “Se tivermos tratamentos mais
eficazes, os tumores podem ser mais bem controlados”, afirma.
O pesquisador afirma que a técnica até agora vem
sendo testada com pacientes de câncer de pâncreas, mas pode ser também
usada para tumores de cólon, pulmão ou pele (melanoma), cujas células
podem ser transplantadas mais facilmente para animais.
Fonte: BBC
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