Uma conhecida rede de supermercados britânica anunciou a
suspensão de acordos com quatro empresas exportadoras de alimentos de
Israel, devido a "cumplicidade na violação de direitos humanos dos
palestinos".
Com a decisão, a Co-op, quinta maior rede de
supermercados da Grã-Bretanha, engrossa a lista de companhias europeias
que boicotam produtos israelenses.
Entre elas está a empresa
ferroviária alemã Deutsche Bahn, que em 2011 resolveu suspender sua
participação na construção de uma linha de trens de Tel Aviv a
Jerusalém, que passaria em um trecho dos territórios ocupados na
Cisjordânia depois de ser pressionada por ativistas.
Segundo a empresa, o projeto era problemático, "com um potencial de violar leis internacionais".
O banco holandês ASN suspendeu seu investimento na empresa francesa
Veolia em consequência do envolvimento da companhia na construção do
bonde de Jerusalém, que passa pela parte oriental da cidade, ocupada em
1967, alegando que seus critérios de alocação de recursos respeitam as
resoluções da ONU que mantêm a parte árabe de Jerusalém como território
ocupado.
O banco e a Deutsche Bahn aderiram ao boicote após
intensa campanha do BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), um
movimento criado em 2005 por ONGs palestinas com o objetivo de exercer
pressão internacional sobre Israel.
O movimento obteve apoio de
sindicatos de trabalhadores e de ONGs na maioria dos países europeus e
também nos Estados Unidos, África do Sul e Austrália.
O BDS
exorta empresas e instituições ao redor do mundo a boicotar Israel "até
que os direitos dos palestinos sejam respeitados" e equipara o regime
israelense ao apartheid da África do Sul.
A campanha pelo boicote
a produtos dos assentamentos também conta com o apoio de grupos
israelenses de esquerda. No ano passado o parlamento de Israel aprovou
uma lei criminalizando a campanha pelo boicote e, segundo a lei, os
grupos que o apoiarem poderão ser processados e multados.
''Racista''
A britânica Co-op esclareceu que continuará comprando produtos
israelenses mas não irá fazer negócios com empresas que exportam
mercadorias produzidas nos assentamentos considerados ilegais.
As
quatro empresas que passaram a ser boicotadas pela rede britânica são
Agrexco, Arava, Adafresh e Mehadrin, que exportam alimentos produzidos
tanto em Israel como nos assentamentos israelenses ilegais existentes
nos territórios palestinos na Cisjordânia ocupados por Israel.
Do
ponto de vista do governo israelense não há diferença entre o boicote a
produtos fabricados nos territórios ocupados e o boicote geral a
Israel.
"A verdade é que eles boicotam Israel, os assentamentos
são apenas um pretexto", disse o porta-voz do ministério das Relações
Exteriores, Yigal Palmor, à BBC Brasil.
Segundo o porta-voz, o movimento BDS "está por trás disso".
"O objetivo do BDS é boicotar Israel e os israelenses de maneira
generalizada e quem boicota pessoas por causa de sua cidadania é
racista", disse Palmor.
"Trata-se de um boicote geral, tanto econômico, como cultural e acadêmico", acrescentou. o porta-voz.
Cancelamento
Nos últimos dias, duas bandas irlandesas anunciaram o cancelamento de shows que estavam programados para junho, em Israel.
As bandas Dervish e FullSet avisaram a produção que não pretendem
participar do Festival de Música Irlandesa que deveria ocorrer em
Jerusalém e Tel Aviv, pois "sentem que não seria apropriado violar o
boicote".
Depois do aviso das bandas, a produção do festival anunciou o cancelamento do evento.
Em outro incidente, o sindicato do Serviço Nacional de Saúde britânico
anunciou o cancelamento da palestra do advogado israelense, Moti
Cristal, que estava programada para esta semana, em Manchester.
Cristal, que é especialista em negociações, havia sido convidado para
fazer uma palestra em um seminário de executivos britânicos na área da
Saúde, porém foi informado que sua participação foi cancelada em
consequência da pressão da UNISON - federação dos trabalhadores
britânicos. A UNISON anunciou que sua posição oficial é de "apoiar o
povo palestino".
Em sua resposta o advogado israelense protestou
contra o cancelamento de sua participação. "Acredito que o caminho para
resolver conflitos, principalmente o conflito israelense-palestino,
passa pelo diálogo construtivo e não por boicotes e violência", afirmou.
Fonte: TERRA
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